sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Será que a Funcine vai "Funciná"?

Funcine surge para estimular a animação nacional

Criado pela Fundação Padre Anchieta em parceria com a Lacan, Fundo de Investimentos distribuirá verbas para produções independentes de desenhos na televisão

Bárbara Sacchitiello

11/12/2008 - 16:11

Para tentar transformar a animação nacional em uma indústria de peso, que seja capaz de gerar empregos e receitas e colocar o Brasil em destaque no universo das artes audiovisuais, a Fundação Padre Anchieta, em parceria com a Lacan Investimentos, anunciou nesta quinta-feira, 11, a criação do Funcine Anima SP, o Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional para a produção de animações.

A iniciativa consiste na criação de um fundo de reservas, do qual serão retiradas verbas para o auxílio às produções de séries de animações totalmente nacionais, produzidas para a veiculação em televisão. Como acontece nos demais fundos de incentivo, as empresas e corporações que tiverem interesse em colaborar com os projetos poderão adquirir cotas, que contribuirão para a formação do montante geral. No caso do Funcine, a estimativa é de alcançar uma reserva de R$ 50 milhões, por meio da comercialização de cotas individuais de R$ 1 mil.

Além de grande incentivadora do projeto, a TV Cultura entra diretamente em várias etapas do Funcine. Será da emissora a responsabilidade de selecionar os projetos de animação que serão contemplados com as verbas do Fundo e será dela, também, a prioridade na veiculação dos desenhos já prontos, que serão exibidos na própria grade da Cultura e também no canal por assinatura TV Rá Tim Bum.

Ao justificar a entrada da TV Cultura na empreitada, o presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, frisou que a animação nacional necessita de um fortalecimento, tanto pelo ponto de vista do conteúdo como pelos negócios que gera. "Ainda falta uma política pública que leve em conta a importância da animação. Estamos muito empenhados em conseguir isso com o Funcine", revela.

Desenhos e verbas
A captação e distribuição das verbas do Funcine funcionará da seguinte forma: os artistas e animadores que tiverem projetos animação para a TV poderão inscrevê-los no programa. Após uma análise de uma comissão da TV Cultura - que avaliará, dentre as propostas, aquelas que possuem maior viabilidade comercial e qualidade - os projetos aprovados seguirão para a avaliação do Funcine, que determinará a porcentagem do financiamento da produção.

Para poder usufruir da verba é necessários que os animadores associem-se com uma produtora, já que o Fundo receberá apenas as produções independentes. De acordo com Luiz Augusto Candiota, presidente da Lacan, uma das regras estabelecidas para a criação do programa determina que 90% das verbas arrecadadas estejam, constantemente, sendo utilizadas para produções. "Queremos, de fato, apoiar as animações e os artistas e movimentar a indústria dos licenciados e de todos os produtos gerados com os desenhos. O Brasil tem potencial para ser o maior celeiro do mundo em termos de animação", acredita Candiota.

Outra regra do Funcine visa estimular a co-produção com o Canadá, considerada a maior potência em animação da atualidade. A regra prevê que 25% das produções aprovadas pelo Fundo deverão ser produzidas em parcerias com produtoras e profissionais canadenses.

Para divulgar o projeto junto ao mercado, a Cultura publicará anúncios de mídia impressa, além de apresentações em veículos e grandes empresas para explanar o projeto e solicitar o apoio na causa. O edital completo do projeto será lançado oficialmente em janeiro.

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